quinta-feira, março 03, 2005

Million Dollar Baby (2004) Avaliação global: 9/10



Sinopse:

Uma rapariga sulista viaja na esperança de se tornar pugilista, movida pelo amor imenso que tem ao único desporto que a faz sentir bem. No entanto, para conseguir melhorar as suas capacidades precisa da ajuda de Frankie Dunn (Clint Eastwood) e de preparação psicológica para tolerar enormes quantidades de sofrimento...

Crítica:

Mystic River é inigualável, um filme verdadeiramente espantoso que teve o azar de apanhar o último ano do Lord of the Rings e apenas por isso não ganhou o Óscar supremo. Mas Clint Eastwood conseguiu construir, em pouco menos de cinquenta dias de filmagens, uma obra quase tão profunda, quase tão bem representada e quase tão interessante como a sua verdadeira obra-prima, aproveitando a volatilidade cinematográfica de 2004 para pôr as mãos na estatueta dourada. Devia ter sido ao contrário...
Quando saí da sala de cinema fiquei com a impressão irritante de que toda força do filme que tinha acabado de ver tinha um cheirinho discreto a falsidade. Pensando um bocadinho cheguei à conclusão de que não gosto do argumento... Somos confrontados com uma história inicial à Rocky, versão feminina, que não podia deixar de ser manhosa, tornando-nos depois testemunhas de uma reviravolta súbita para um drama pesadíssimo abordado de forma irrealista e simplória. Então onde é que está o poder da história?
O poder está na magia espiritual das mão do realizador, que consegue criar um ambiente tão negro (todo o filme está imerso numa discreta moldura de escuridão) e envolvente que nos absorve facilmente para o estado psicológico desejado. Depois, estando o público à sua mercê, brinca connosco por meio de planos fantásticos e direcção perfeita até nos deixar onde quer: maravilhados. Na minha opinião todo o mérito do filme está na sua realização; faço uma vénia ao ancião da película...
Apenas uma pequeníssima crítica à representação: quem deu a estatueta a Hilary Swank e a Morgan Freeman não deve ter visto o Vera Drake e o Closer.

Linhas Gerais:

O melhor filme de 2004, sem margem para dúvidas... Uma obra criada exclusivamente pelas mãos fantásticas do eterno Clint Eastwood.

Filme para:

Toda a gente.