quarta-feira, fevereiro 02, 2005

Melinda and Melinda (2004) Avaliação global: 6/10


Sinopse:

Um encontro amigável de realizadores de cinema leva a uma conversa filosófica acerca da essência da existência humana. O debate desemboca na criação de dois universos paralelos em torno da história de um personagem central: Melissa. Cómica ou trágica? Depende do ponto de vista.

Crítica:

É impossível não se aplaudir uma ideia tão brilhante como esta. A exploração da subjectividade presente em cada visão da vida com um filme duplo a rondar os dois estilos clássicos do grande ecrã é uma postura tão complexa como inteligente. Tenho imensa pena de que não tenha sido bem feita.
As minhas expectativas em relação a esta obra eram bastante elevadas, já que me tinham falado do regresso do velho Woody Allen, inteligente e arrojado. De facto, ao ouvir as linhas gerais do argumento pensei que este (outrora?) brilhante realizador tinha pegado numa história central objectiva e tinha construído, por meio de mera escolha de cenas, dois mundos aparentemente contrastantes em torno dela. Infelizmente não foi nada disto que fez...
O carácter dual da vida humana é retratado por meio de duas histórias absolutamente distintas, unidas apenas por um punhado de factos partilhados. Acaba por ser o simples relato de duas pessoas diferentes... Assim sendo, em vez de ser um filme inovador a retratar duas formas de olhar para uma mesma vida, revelou-se mais um filme comum acerca dos diferentes caminhos que a vida pode tomar.
Consistindo o filme em duas partes distintas (com actores, cenários e até imagem diferentes), torna-se imperativo analisar as duas histórias em separado...
A comédia romântica tem um elenco bastante aceitável com um brilho extra adicionado pela presença do incontornável Will Ferrell, num papel quase central. Apesar de ser uma realização adequada, sem o suporte da intercalação com a vertente dramática seria um filme inaceitável.
O drama amoroso tem bastante mais consistência global, atribuindo às personagens uma complexidade mais de acordo com a realidade humana, levando demasiado ao extremo a mente suicida da personagem central. Mais uma vez não seria por si só um filme satisfatório.

Linhas Gerais:

A intenção é absolutamente fantástica, mas no cinema, ao contrário do ditado, a intenção conta praticamente nada...
Um filme banal, com duas histórias paralelas que em separado são de qualidade no mínimo duvidosa.
Representação consistente e realização satisfatória. Não mais que isso.

Filme para:

Quem adora Woody Allen (não é de todo o meu caso) ou para quem não tem mais que fazer num sábado à tarde...
Evitem ir em casal.