Finding Neverland (2004) Avaliação global: 7/10
Sinopse:
Peter Pan: a história por detrás da história. Toda a situação peculiar que levou à concepção de uma das peças mais originais e eternas de sempre.
Mais concretamente, o filme trata de relação de James Matthew Barrie com uma família especial de quatro rapazes órfãos de pai (sem nada de pouco ortodoxo, sosseguem as vossas mentes perversas!), musa na criação da peça imortal deste espantoso autor.
Crítica:
O grande interesse deste filme reside na viagem psicológica pela mente lunática de um dos grandes génios literários do século XX, particularmente pela concepção agradavelmente distorcida da realidade que se supõe que Sir Barrie possuísse.
Pretendia-se um filme alucinado, um projecto à Tim Burton que explorasse a complexidade representativa de que o magnífico Johnny Depp é capaz. O tenrinho Marc Foster mostrou-se pouco arrojado; fez um filme fácil, um filme banal, uma daquelas produções que caem nos intervalos do tempo e só são recordadas em biografias demasiado completas para serem interessantes. Este filme podia e devia ter sido muito mais.
Johnny Depp esteve bem, mas fez um papel demasiado esterilizado pela mente simplória de Marc Foster (capaz de mais e melhor) para sequer sonhar com prémios ou sucessos de maior. Digo já aqui à cabeça que se ele ganhar o Óscar a credibilidade que dou aos prémios da academia vai descer para o fundo do poço, ficando ao nível único das nomeações para ministro...
Kate Winslet desenvolveu uma representação bastante mais complexa e sem dúvida bem conseguida, mas deve ter ofendido algum membro do júri da infame academia e acabou por não ser sequer considerada para as nomeações. Neste caso é possível que tenha sido por mérito da concorrência e não por demérito do júri, faça-se justiça...
Neste filme devo realçar a qualidade da banda sonora, sempre bastante expressiva e um pouco mais arrojada que o filme em si, marcando a primeira nomeação de sempre de Jan A. P. Kaczmarek, um já comum compositor de bandas sonoras, para um Óscar.
De resto, temos uma produção bem conseguida a apontar nitidamente para os chamados "Óscares dos pobres": direcção artística, guarda-roupa e edição.
Linhas Gerais:
Um filme razoável quando podia ter sido fabuloso: devia ter sido realizado por Tim Burton, que certamente o levaria para outro nível.
Representação de qualidade a nível geral, produção competente, todos os alicerces para a criação de um bom filme. Só faltou aquele toque de magia que quase nos transporta para dentro da tela.
Filme para:
Quem se quer distrair um bocado e ver um filmezinho fácil, não abusando das já esgotadas células cinzentas.


3 Comments:
(Luis! Então e o Unsettling Reasoning?! Acabou?...)
Beijinho!
http://litostive.blogspot.com
Já pus lá um post novo... Eu tenho tido muito pouco tempo livre e como os meus colaboradores neste blog ainda não colocaram posts, tenho-me dedicado a brincar um bocadinho com a crítica cinematográfica. Ou não fosse eu um cinéfilo abusadíssimo!
Quando o Peter e o Jon começarem a pôr aqui umas críticas vais ver que nem queres saber do Unsettling Reasoning para nada.
Beijinhos!
Ai que disparate...! =p
Os conteúdos são muuuuito diferentes. Não dá para fazer uma "substituição". Lerei os dois, como faço agora! ;)
Identifico-me mais com as tuas "considerações" do Unsettling Reasoning, embora seja complicado compará-los...
Nada como ler tudo, assim não perco em lado nenhum! ;)
Beijinhos =) *
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