American Splendor (2003) Avaliação global: 8/10
Sinopse:
Biografia de Harvey Pekar, o típico americano deprimido e estagnado de classe média baixa que certo dia decidiu criar uma banda desenhada autobiográfica com o intuito de camuflar o falhanço total da sua vida.
Crítica:
Porquê fazer um filme acerca desta vida tão banal? Ficaram sem vidas extraordinárias e com impacto, não se lembraram de ninguém melhor?.. A questão é que se trata de um filme enganador, uma crónica mundana dissimulada sob um falso véu biográfico. E aí podemos encontrar a razão de grande parte da sua grandiosidade. É o relato cru e pessoal de uma vida destroçada em que o narrador contundente é o próprio protagonista ironizado.
Para além da grandiosa ideia por detrás de toda a produção, o filme acabou por ser realizado com filmagens inovadoras que nos levam para dentro do universo BD (um pouco ao estilo do clássico jogo de Mega Drive "Comix Zone"), misturando em diversas passagens o mundo real com o ilustrado - apesar de ser uma técnica tristemente perdida com o evoluir do filme, mais explorada na brilhante introdução e num monólogo quase no final.
Mais um ponto positivo é a incontornável representação de Paul Giamatti no papel da sua vida (até agora - vamos esperar pelo Sideways...), deixando a ideia de que qualquer outro actor no seu lugar trataria de assassinar totalmente este filme ímpar.
Linhas Gerais:
Uma tentativa milagrosamente bem sucedida de abrir a janela do cinema para o mundo da banda desenhada. A história de uma vida deprimida e deprimente, mais facilmente aceite neste formato adocicado pela ilustração.
Filme com qualidade e originalidade.
Filme para:
Toda a gente, excepto a meia dúzia de sortudos nascidos numa situação que lhes permite ignorar por completo as dificuldades da existência humana.
Especialmente para aqueles que em miúdos se alimentavam de banda desenhada, os que entendem a mensagem oculta nas ilustrações, por vezes mais difícil de ler que Braille.


