sábado, março 05, 2005

Sideways (2004) Avaliação global: 8/10


Sinopse:

Dois grandes amigos partem numa viagem de uma semana com o intuito de festejarem uma despedida de solteiro prolongada pela Califórnia rural, terra de vinhos e gastronomia.
Nos dias complexos que passam na estrada provam vinhos e provam vidas, descobrem-se em aventuras pueris com verdades ocultas e definem-se do alto dos seus quarenta anos.

Crítica:

Sideways era o filme de 2004 que recolhia as minhas expectativas. Quando vemos uma produção independente entrar no leque de nomeados para melhor filme sabemos que tem de haver lá algo de extraordinário, de inovador, de brilhante! Foi com o coração saltitante que entrei na sala escura, sozinho, quase nervoso.
Descascando esta produção da máscara superficial da exploração vinícola que lhe concede um toquezinho de originalidade e inovação (mas que tem pouco conteúdo), ficamos com uma comédia romântica de qualidade mas essencialmente banal. O guião está muito bem feito, não haja dúvidas! A questão é que conta a mesma história básica que já ouvimos inúmeras vezes, e para a qual não há muita paciência...
É um filme que vale a pena ver, mais não seja pela representação brilhante de Paul Giamatti (assistido por um Thomas Haden Church muito competente, nomeado até para melhor actor secundário). A questão é que não deixa de ser banal, apesar de toda a qualidade da sua produção! Deixa inclusivamente a sensação de que se não tivesse Paul Giamatti no principal papel seria uma comédia de sábado à tarde, inconsequente.

Linhas Gerais:

Uma comédia banal disfarçada com ligeiros toques de originalidade. Um filme divertido, em vez de um filme óptimo.
Paul Giamatti é arrebatador.

Filme para:

Quem ainda não está farto de comédias românticas (eu estou quase a ficar). E para quem gosta muito de vinho e quer ver o monólogo marcante de Virgínia Madsen a justificar o seu amor vinícola.

quinta-feira, março 03, 2005

Million Dollar Baby (2004) Avaliação global: 9/10



Sinopse:

Uma rapariga sulista viaja na esperança de se tornar pugilista, movida pelo amor imenso que tem ao único desporto que a faz sentir bem. No entanto, para conseguir melhorar as suas capacidades precisa da ajuda de Frankie Dunn (Clint Eastwood) e de preparação psicológica para tolerar enormes quantidades de sofrimento...

Crítica:

Mystic River é inigualável, um filme verdadeiramente espantoso que teve o azar de apanhar o último ano do Lord of the Rings e apenas por isso não ganhou o Óscar supremo. Mas Clint Eastwood conseguiu construir, em pouco menos de cinquenta dias de filmagens, uma obra quase tão profunda, quase tão bem representada e quase tão interessante como a sua verdadeira obra-prima, aproveitando a volatilidade cinematográfica de 2004 para pôr as mãos na estatueta dourada. Devia ter sido ao contrário...
Quando saí da sala de cinema fiquei com a impressão irritante de que toda força do filme que tinha acabado de ver tinha um cheirinho discreto a falsidade. Pensando um bocadinho cheguei à conclusão de que não gosto do argumento... Somos confrontados com uma história inicial à Rocky, versão feminina, que não podia deixar de ser manhosa, tornando-nos depois testemunhas de uma reviravolta súbita para um drama pesadíssimo abordado de forma irrealista e simplória. Então onde é que está o poder da história?
O poder está na magia espiritual das mão do realizador, que consegue criar um ambiente tão negro (todo o filme está imerso numa discreta moldura de escuridão) e envolvente que nos absorve facilmente para o estado psicológico desejado. Depois, estando o público à sua mercê, brinca connosco por meio de planos fantásticos e direcção perfeita até nos deixar onde quer: maravilhados. Na minha opinião todo o mérito do filme está na sua realização; faço uma vénia ao ancião da película...
Apenas uma pequeníssima crítica à representação: quem deu a estatueta a Hilary Swank e a Morgan Freeman não deve ter visto o Vera Drake e o Closer.

Linhas Gerais:

O melhor filme de 2004, sem margem para dúvidas... Uma obra criada exclusivamente pelas mãos fantásticas do eterno Clint Eastwood.

Filme para:

Toda a gente.